Poeta Hugo Tavares divulga cartilha sobre o voto consciente em Brasília

Há poucos dias das eleições municipais deste ano, Hugo Tavares Dutra viajou  a Brasília para divulgar um trabalho de educação política que desenvolve em parceria com a Rádio Comunitária Santa Rita, do município de Santa Cruz da região do Trairí no Rio Grande do Norte, o SINTE/RN e a Abraço Potiguar.  Foram dois dias de gravações nas TVs Senado, Câmara e UnB (televisão da Universidade de Brasília) e uma entrevista ao vivo na Rádio Câmara. 

 

O conteúdo da cartilha e do CD do projeto “Cidadania e Eleição” e a simpatia de Hugo conquistaram a todos. “Sou um pedagogo nordestino; discípulo de Monsenhor Expedito Sobral de Medeiros, um missionário do interior do Rio Grande do Norte que no auge da ditadura militar lançou cartilhas em que ensinava ao povo simples que cidadania significa ter direito a saúde, educação, emprego, moradia e segurança de qualidade; liberdade e condições dignas de se viver.  E que isso se consegue com políticos decentes.

Voto não se compra. Consciência não se vende! Foi de Monsenhor Expedito que resgatei esse projeto”.  Este era o mantra recitado por Hugo em todo lugar que chegava, para em seguida completar: “Não estou sozinho nessa caminhada.  Sou um humilde representante de um grupo de voluntários talentosos que doam seu tempo e sua arte para que esse projeto aconteça”.  E passava a listar nomes de poetas, músicos, artistas, técnicos de som, radialistas e tantos quantos colaboraram com a confecção da cartilha e do CD.  Hugo fazia questão de dar destaque para aqueles a quem considera “peça fundamental” para o sucesso do projeto: os professores. “Nós plantamos a semente. 

É fácil plantar.  O difícil é cultivar. É cuidar para que a mensagem frutifique. E essa nobre tarefa é desempenhada principalmente pelos professores”.  E Hugo passava a falar das palestras, das visitas às escolas e da receptividade de crianças e jovens ao conteúdo da cartilha.  Em todos os lugares contou o depoimento da criança que, com menos de dez anos de idade, disse que entendeu o significado da palavra “corrupção” quando, fingindo que dormia, escutou um ‘cabo eleitoral’ negociar e comprar o voto da sua mãe por R$ 200,00. Hugo recitava versos e cantava.  Distribuía a cartilha, o CD e cantava.  E para todo nordestino que encontrava nos estúdios das emissoras, entregava uma cartilha autografada dizendo: “Leve de presente para o seu pai e para a sua mãe com um abraço desse conterrâneo”. 

Hugo não parava de falar, nem de cantar. Tanto que a emoção, junto com o clima seco de Brasília, fizeram com que ficasse rouco.  Mesmo assim, continuava falando e cantando. E, ao cantar ao ar livre para a equipe de gravação da TV UnB sua voz despertou a atenção do senhor que varria o local.  Ele deixou a vassoura em um canto, aproximou-se e ficou escutando.  Era outro nordestino, do interior de Pernambuco.  Quando Hugo terminou de cantar, o senhor voltou para a sua vassoura e continuou o seu trabalho cantando os versos, que também eram cantados  por cinegrafistas, operadores, iluminadores, radialistas, entrevistadores em todos os locais que Hugo visitou. Versos que ficaram na cabeça e eram discretamente melodiados ao final das gravações:
Ficha limpa, Ficha suja
Diz aí quem vai julgar
Quem é quem nesse processo
Desse nó que é votar
 
Foi isso que aconteceu.  Esses versos grudaram como chiclete na cabeça de quem escutou Hugo cantar em Brasília.  E também não sai da minha cabeça, pois acompanhei Hugo em todos os lugares.  Por isso, repasso como presente para você que leu essa matéria até aqui:
 
Ficha limpa, Ficha suja
Diz aí quem vai julgar
Quem é quem nesse processo
Desse nó que é votar
Paulo Sérgio Azevedo
Jornalista

01/10/2012